Há algo de mau no prazer?

“Procurava o prazer, e acabava por o encontrar – conta C. S. Lewis na sua autobiografia – mas depois descobri que o prazer (esse ou qualquer outro) não era aquilo que procurava. E pensava que me estava a enganar, embora não fosse, evidentemente, por questões de ordem moral. Naquela época eu era, neste domínio, o mais imoral que alguém pode ser.”

“A frustração também não consistia em ter encontrado um prazer rasteiro em vez de um elevado.”

“Era o pouco valor da conclusão aquilo que estragava a festa. Os cães tinham perdido o rasto. Tinha capturado a presa errada. Oferecer prazer sexual a quem deseja algo mais elevado, é o mesmo que oferecer uma costeleta de cordeiro a quem morre de sede.”

“Não é que me tivesse afastado da experiência erótica dizendo: isso não! Os meus sentimentos eram: isto está bem! Mas não será que me desviei do verdadeiro objectivo?”

“O verdadeiro desejo desaparecia como que dizendo: Que tem isto a ver conmigo?”

Assim descreve C. S. Lewis os seus erros e vacilações no caminho da procura da felicidade. A via do prazer resultara infrutífera. Durante anos seguira uma pista errada. “Ao concluir um templo para o deus do prazer descobri que ele se tinha ido embora.”

 

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