O castelo

Em casa, fechamos as portas e perguntamos quem é antes de abrirmos. Preservamos a nossa intimidade. Parece-nos que a nossa família tem uma identidade própria, que há nela qualquer coisa que não se deve sujar com o lixo que anda por aí.

E anda por aí muito lixo.

Erguemos paredes não apenas para que o vento não entre em nossa casa.

Por que é que, então, deixamos entrar no nosso lar, no castelo, através da pequena janela da televisão, pessoas a quem não abriríamos a porta se nos tocassem à campainha; e ambientes, ou lugares, aonde nunca nos deslocaríamos, muito menos na companhia dos nossos filhos?

Abrimos a torneira quando precisamos de água e ligamos o aquecedor quando temos frio, mas a televisão lá em casa está sempre a funcionar.

 

 

 

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