Ele
Tinha crescido cingindo-se ao seu tamanho, ciente das suas limitações, sabedor de que aos sonhos se chega por um esforço por vezes longo, por vezes pesado, por vezes demasiado grande em aparência.
Não lhe parecia mal ser um como todos os outros, e não se achava com direito a passar por cima das horas de trabalho, dos momentos duros, das verdades difíceis, dos fracassos, dos recomeços, da espera e da constância.
Quando era mais novo acreditava em fadas, e sabia muito bem que do céu desciam às vezes luzes maravilhosas, forças inesperadas e destinos magníficos. Mas achava que eram qualquer coisa que não podia encontrar em si mesmo: podia esperar por elas, mas devia esperá-las de fora de si. Pensava - ainda que não pensasse nisso - que podia ter esperança em receber alguma dessas graças se aceitasse ser do seu tamanho de homem: o tamanho das pequenas coisas que diariamente podia fazer bem e o tamanho da força dos seus braços; e também o dos seus sonhos, desde que sujeitos ao tempo e ao suor.